A novela da Renault Alaskan no Brasil é encarada com ceticismo, mas, pouco após declarações do presidente da filial argentina, a chegada de algumas unidades da picape média ao Brasil podem sugerir o contrário.

O desembarque ocorreu no meio deste mês, no porto de Paranaguá (PR), em fotos divulgadas pelo portal BF///MS no Instagram. Também há fotos das picapes em caminhões-cegonha, provavelmente seguindo para a sede da Renault, em São José dos Pinhais.

Pelas imagens, é possível notar versões 4×4 da Alaskan, que são sempre equipadas com motor 2.3 a diesel com opção turbo de 160 cv e biturbo de 190 cv, câmbio manual de seis marchas ou automático de sete, opção de 4×2 e sempre com cabine dupla.

A irmã da Nissan Frontier já surgiu anteriormente no Brasil, mas esse é o primeiro grande flagra desde que o chefe da Renault argentina, Pablo Sibilla, reafirmou interesse em vendê-la no mercado brasileiro. A novela é longa e, desde que a fabricante trouxe sua picape média ao Salão de São Paulo em 2018, já mudou de ideia algumas vezes.

Agora, há novas possíveis razões para que a Alaskan desembarque de vez no Brasil: uma delas é a altíssima demanda por picapes, que vêm sendo comercializadas com ágio e rendendo valorização em unidades usadas.

Nesse cenário, a eventual presença da Alaskan supriria uma demanda sem exigir grandes investimentos da Aliança Renault-Nissan, uma vez que a economia de escala do modelo já existe por conta de sua produção aos vizinhos latinos.

Ao mesmo tempo, um modelo mais nobre serviria para revigorar a linha da francesa, recheada de modelos cada vez mais datados. Se atualmente a Alaskan é zombada por ser a “caminhonete do Kwid”, uma performance positiva traria a ela o protagonismo hoje destinado ao subcompacto, além de Sandero, Logan, Duster e Captur.

Mas nada está confirmado e, segundo fontes ouvidas por QUATRO RODAS, nenhum veículo da Renault é desenvolvido especificamente para um único país. Por isso, as Alaskan também podem estar realizando algumas etapas do processo de adaptação para a América do Sul em território brasileiro.

Como interior e mecânica da Nissan Frontier são iguais, também já existe cadeia de suprimentos e assistência ampla, retirando um fardo da conta. Além disso, a camisa francesa na picape serviria para atingir clientes fiéis da Renault que não se satisfazem com a pequena Duster Oroch.

Em termos de preços, a Renault Alaskan argentina parte do equivalente a R$ 178.022 (Comfort MT) e chega aos R$ 313.120 (Iconic AT). A Frontier brasileira custa entre R$ 191.890 (S MT 4×4) e R$ 260.390 (LE AT 4×4), sempre com tração nas quatro rodas.

 

Fonte: Quatro Rodas