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O comércio exterior e as eleições no Brasil

O comércio Internacional é desde milênios atrás indutor de desenvolvimento e riquezas. Mas quais serão os desafios para o comércio internacional do Brasil frente ao cenário eleitoral deste ano? Qual será a estratégia para ampliar a presença e atuação no cenário internacional?

Para os próximos anos, o crescimento do comércio internacional do Brasil, temos que estudar não somente os cenários externos como traçar cenários internos que dependem do resultado das próximas eleições presidenciais, pois teremos que saber qual será o planejamento estratégico para o Brasil.

As exportações brasileiras estão atualmente muito concentradas em produtos agropecuários (grãos como soja e milho, café, açúcar, carnes bovina, suína e aves), petróleo, minério de ferro, celulose, alguns produtos industrializados. As importações por sua vez, concentram-se em derivados de petróleo, adubos e fertilizantes, peças eletrônicas, medicamentos, equipamentos de telecomunicação, peças e partes de veículos. Quanto a países, exportamos fortemente para China, Estados Unidos, Argentina. Importamos muito da China, Estados Unidos, Argentina, Alemanha, Índia.

Necessitamos além de aumentar nossas exportações (e consequentemente importações), de agregação do maior valor possível a elas. O debate puramente político das campanhas eleitorais não sustenta, até agora, uma apresentação clara para o futuro da engrenagem do comércio exterior brasileiro nesta magnitude. Alguns pontos precisam ser considerados para o futuro do comércio exterior brasileiro.

O primeiro ponto são as exportações de petróleo e importações de seus derivados, que pelo menos nos próximos cinco anos permanecerão como estão, porque a questão envolve o aumento do parque de refino, o desenvolvimento da infraestrutura de transportes, a nossa matriz energética e o incremento no aproveitamento do gás natural.

O que causa maior aumento das importações é o parque de refino, porque o atual não processa todo petróleo extraído aqui e não acompanhou o aumento da demanda interna, mas seu aumento depende de uma série de pontos (a continuação da desmobilização da Petrobras no refino, a política de preços da Petrobras enquanto maior detentora do parque de refino), questões tributárias, segurança jurídica, entre outros. Outro importante ponto além da matriz energética é a implantação de uma moderna infraestrutura de transportes de cargas e passageiros, porque a atual é baseada em óleo diesel.

O minério de ferro tem tendência a crescer no Brasil, existem projetos em curso para o aumento de sua produção, sendo que as exportações dependem muito do crescimento da China, nosso maior comprador. O planejamento estratégico do governo é importante porque o mercado interno é grande comprador de aço, um exemplo é a fabricação de trilhos ferroviários inexistente atualmente. Ligado a este, temos que exportamos aço semiacabado e importamos aço acabado. Questões tributárias são relevantes e implicam atualmente em importação de aço que poderiam ser fabricados no Brasil.

Os produtos do agronegócio tendem a continuar na marcha atual mesmo após as eleições, com importações a curto prazo de fertilizantes e adubos, pois a implantação de novas indústrias deles no Brasil ou mudanças nos seus usos, dependem de questões tributárias e investimentos. As exportações vão continuar a depender das influências externas: crescimento interno dos países importadores, regras sanitárias, barreiras em defesa de produtores locais dos países importadores, questões ambientais.

Semelhante ao agronegócio, temos as exportações de celulose, que em um planejamento a médio e longo prazo poderia agregar mais valor com exportações de produtos prontos. A longo prazo o ideal seria que a os investimentos em agregação de valor nos produtos agropecuários fossem feitos em maior valor no Brasil e não no exterior.

Os produtos industrializados importados dependem muito de competividade e da cadeia logística, sendo o ideal que o Brasil pudesse voltar a ser um importante Pais industrializador. Não se trata de substituir importados somente, mas inserir o Brasil na cadeia logística de suprimentos e aumentar a participação do comércio internacional na nossa economia. Temos que ter em mente que é desejável preparar o País com produção ou estoques de produtos importados que considerarmos estratégicos.

 

Fonte: Diário do Comércio

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08.11.2022

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