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Competitividade logística: novos investimentos no Porto de Paranaguá

Com mais de 38 milhões de toneladas de cargas movimentadas de janeiro a agosto deste ano, o Porto de Paranaguá acumula alta de 8,4% em relação ao mesmo período de 2019. Entre exportações e importações, a atividade portuária teve crescimento médio de 8% ao mês em 2020, dado que reforça seu papel essencial na economia do Paraná. E que vem ao encontro de investimentos realizados no último ano, como as obras de dragagem continuada que começaram em 2019 e vão até 2023. “É uma campanha longa, com obras permanentes para manter a segurança da navegação em nossos portos, com respeito e cuidado com o meio ambiente”, destaca o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia. O investimento total será de R$ 403 milhões.

Hoje, o Porto de Paranaguá é considerado um dos melhores portos públicos do Brasil, fortalecido pela exportação de produtos da agroindústria do estado. “As indústrias exportam produtos como celulose, farelo e óleo de soja, açúcar, veículos e produtos conteinerizados, especialmente carne de frango e madeira. Na importação, os fertilizantes utilizados na agricultura se destacam, assim como matérias-primas para indústrias de plásticos e de produtos químicos, combustíveis e peças de veículos”, diz João Arthur Mohr, gerente de Assuntos Estratégicos do Sistema Fiep.

Investimentos em logística terrestre

Nos últimos anos, o Porto de Paranaguá deu um salto em desempenho. Além das obras de dragagem, diversos projetos complementam a infraestrutura logística. “Atualmente, 80% da carga movimentada pelo porto usa caminhões. Um sistema rodoviário preparado para receber esses veículos inclui estradas eficientes, viadutos, avenidas em Paranaguá, sinalização, pontos de acesso e muito espaço para estacionamento, carga e descarga”, explica Mohr.

Em julho deste ano, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) autorizou a Portos do Paraná a fazer um leilão de arrendamento de uma nova área de veículos no Porto de Paranaguá. Chamada de PAR12, fica no lado leste do cais, na retaguarda do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP). O espaço será destinado para movimentar veículos, com 74 mil metros quadrados.

Os investimentos nas operações portuárias envolvem outras obras terrestres, como a restauração e ampliação de capacidade da Avenida Ayrton Senna da Silva, um dos acessos ao porto, e a ampliação do modal ferroviário do Paraná. “O objetivo é que pelo menos 50% da carga movimentada pelo porto seja embarcada por ferrovia, para aumentar a eficiência do transporte. O frete por trilhos é mais sustentável do ponto de vista ambiental e mais barato, já que permite transportar grandes volumes e foge de gargalos nas estradas”, cita o gerente do Sistema Fiep. “Se queremos crescer, precisamos de uma adequada recepção ferroviária. É um modal ainda subaproveitado no porto. Ao capacitar e melhorar nosso modal, o conjunto logístico do porto ganha”, afirma Luiz Fernando Garcia.

Corredor de exportação

Operado por dez empresas, o Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá é responsável por uma movimentação anual de 18 milhões de toneladas de granéis sólidos. Soja, farelo e milho produzidos no Paraná são embarcados para atender o mercado internacional, especialmente China e Estados Unidos. O país asiático comprou US$ 406,3 milhões de soja em grãos somente no mês julho, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia. O produto é o recordista em exportações, com 11,5 milhões de toneladas movimentadas pelo Corredor entre janeiro e agosto de 2020. Em seguida, vem o farelo de soja, com 3,2 milhões de toneladas exportadas no período, e o milho, com 546.334 toneladas.

No início de agosto, o grupo de trabalho do Plano Estadual Ferroviário teve a primeira reunião para elaboração de um plano que vai desenvolver e ampliar as ferrovias paranaenses, com impacto direto para essa cadeia exportadora. Estão listados pontos como a desestatização da Ferroeste, o desenvolvimento sustentável dos serviços de transporte por este modal e a construção de uma moega de descarga exclusiva para receber as cargas ferroviárias no Corredor de Exportação. O projeto beneficia toda a cadeia logística – portos, operadores, transportadores –, com o aumento da capacidade de descarga e redução dos custos.

Para a população, as melhorias imediatas geradas com essa reorganização da descarga serão a eliminação das interferências rodoferroviárias, aumento da segurança, fluidez na circulação urbana, e a redução de ruídos, principalmente os gerados pelas buzinas dos trens.

Ampliações no terminal

O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), que integra o complexo do Porto, iniciou investimentos na ordem de R$ 2,5 bilhões para ampliar suas instalações. Com a maior capacidade do Brasil, é o segundo terminal em movimentação de cargas. Até o momento, foram entregues obras de ampliação do pátio, que totaliza 490 mil m² de área, e de ampliação dos berços de atracação. “Com todos os investimentos, o TCP – Terminal de Contêineres de Paranaguá aumentou em 60% sua capacidade de movimentação, passando de 1,5 milhão de TEUs/ano para 2,5 milhões de TEUs/ano”, comenta Thomas Lima, diretor comercial da TCP. Cada TEU (Twenty-feet Equivalent Unit) equivale a um contêiner de 20 pés de comprimento, aproximadamente sete metros. Adquirido pela chinesa CMPort em 2018, o TCP analisa outros projetos de ampliação.

 

Fonte: Globo G1

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09.21.2020

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