Marcon Logística Portuária

Brasil vai mapear oportunidades para acordo Mercosul-Emirados Árabes e ampliação com Índia

A possibilidade de expansão de acordos no âmbito do Mercosul avançou dentro do governo Lula, que está na presidência temporária do bloco. Além de publicar na quinta-feira, 19, consulta em torno de possível ampliação do acordo entre o Mercosul e a Índia, que vigora desde 2009, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) também abriu um questionário para sondar empresários e sociedade civil sobre um eventual acordo comercial do bloco com os Emirados Árabes Unidos.

Embora os países do Mercosul já tenham acordado que as atuais prioridades para o bloco são as parcerias com União Europeia e com Singapura, há um “universo” de outras possibilidades que a união aduaneira pode discutir, afirma ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres.

No caso da parceria que existe atualmente com a Índia, a avaliação do governo brasileiro é de que se trata de um acordo “extremamente limitado”. De um universo de 10 mil linhas tarifárias, ele cobre apenas cerca de 450, sem prever livre comércio. “Em alguns casos tem apenas uma preferência na tarifa, que pode ser de 10%, 20% ou 100%”, explica a secretária.

A ideia de explorar melhor o comércio entre o bloco sul-americano e a Índia não é inédita. Há dez anos, o Brasil chegou a abrir uma consulta pública sobre o tema, mas o resultado indicou uma resistência de parte do empresariado. Agora, contudo, o governo vê um contexto diferente. A Índia, o país mais populoso do mundo e também parte dos Brics, apresenta uma economia considerada robusta, que cresce a taxas elevadas – o que faria uma revisita ao tema “oportuna”, com potencial importante para o mercado exportador brasileiro, avalia Prazeres.

“O objetivo não é o livre comércio, mas considerando o acordo atual, gostaríamos de avaliar a possibilidade de ampliar o universo de produtos incluídos”, disse a secretária. Segundo ela, a ideia da consulta é justamente tentar identificar setores que enxerguem na Índia um potencial comprador. Prazeres citou, por exemplo, que quer acompanhar o interesse de segmentos como de máquinas e equipamentos, de alimentos e de bebidas.

“E há setores que enfrentam barreiras sanitárias na Índia”, apontou. “Na consulta, o setor privado identifica se há interesse ofensivo ou defensivo, barreiras tarifárias, não tarifárias, além de medidas regulatórias, serviços, comércio digital, investimentos e desenvolvimento sustentável. São temas cobertos pela consulta”, explica.

Prazeres evita dar um prazo para o Brasil levar uma eventual proposta ao Mercosul. Qualquer discussão no bloco vai depender primeiro de o País formar uma posição interna sobre avançar ou não na expansão. O interesse, contudo, existe, e também do lado indiano. O tema foi assunto de reunião no MDIC realizada no início de outubro, da qual participou o secretário de Comércio da Índia, Sunil Barthwal.

A pasta também já fez sondagens prévias com o mercado brasileiro, e coletou alguns pontos de atenção, como barreiras tarifárias relevantes no comércio entre Brasil e Índia. “Por exemplo, carne de frango com tarifa de 100%, carne suína, 30%, milho com tarifa média de 50%, café verde em grãos com tarifa de 100%, café solúvel e cafés especiais com 53%, suco de laranja, 35%. Aqui são produtos em que o Brasil tem potencial exportador, e que enfrentam barreiras substantivas”, cita Prazeres.

O ministério afirma acreditar que há potencial para pelo menos dobrar o comércio de bens entre Índia e Brasil até 2030, com a diversificação de produtos. O fluxo comercial bilateral foi de US$ 15,2 bilhões no ano passado. Embora tenha sido valor recorde, a Índia representa apenas 2% de nossas exportações e 3,3% das importações ao Brasil.

Novo acordo

O Diário Oficial da União (DOU) de quinta-feira também trouxe consulta sobre um eventual acordo comercial com os Emirados Árabes Unidos. Segundo o MDIC, o país do Golfo reiterou neste ano o interesse numa parceria “abrangente” com o Mercosul, desejo levado aos membros do bloco em reunião realizada em agosto em Brasília.

De acordo com a secretária de Comércio Exterior, o governo brasileiro identifica que um acordo teria potencial de favorecer investimentos, além de expandir e diversificar o comércio bilateral, embora reconheça a preocupação de alguns setores, como o de produtos químicos. “A consulta pública permitirá ao MDIC ter maior clareza em relação a interesses ofensivos e defensivos do lado brasileiro e nos ajudará no mapeamento de oportunidades e riscos em relação a esse mercado”, diz Prazeres.

Em 2022, a corrente de comércio entre Brasil e Emirados alcançou US$ 5,7 bilhões, um salto de 75% em relação a 2021, informa o MDIC. As exportações do Brasil para o país do Golfo fecharam em US$ 3,2 bilhões no ano passado, enquanto que as exportações atingiram US$ 2,5 bilhões. Carne de aves, açúcar e carne bovina estão entre os produtos brasileiros atualmente mais exportados para os Emirados Árabes Unidos.

 

Fonte: InfoMoney

}

10.30.2023

Em Destaque

Relacionados

Quer saber mais?

Entre em Contato

Siga a Marcon

Mercado & Novidades

Últimas Notícias

fev 22 2024

Paraná é o terceiro estado que mais exporta carne de peru, aponta boletim do Deral

As exportações nacionais de carne de peru alcançaram 69.644 toneladas em 2023 e geraram receita de aproximadamente US$ 200,568 milhões. O Paraná é o...
fev 21 2024

Comércio Brasil-China inicia 2024 com fortes altas nas exportações e importações

O comércio entre o Brasil e a China teve um início de ano marcado pelo expressivo aumento de 53,7% nas exportações brasileiras, que somaram US$...
fev 20 2024

Brasil e Egito fortalecem relações comerciais para exportação de carnes com facilitações

Com a confirmação da missão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao Egito nesta semana, o Ministério da Agricultura e Pecuária do...
fev 19 2024

Importação cresce ao maior patamar em 20 anos e indústria corre ao governo por proteção comercial

As importações alcançaram participação inédita no mercado da indústria em, pelo menos, 20 anos e provocaram uma corrida das empresas ao governo por...
fev 16 2024

Com alta da soja, Paraná registra maior volume de exportações para janeiro da história

Com US$ 1,82 bilhão em receitas obtidas com vendas para o mercado internacional em janeiro, o Paraná registrou em 2024 o maio volume de exportações...
fev 15 2024

Conab: colheita de grãos da safra 23/24 será menor do que o estimado

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a colheita de grãos na safra 2023/2024 será 6% inferior ao volume colhido no período...
fev 14 2024

Portos do Paraná ultrapassa 65 milhões de toneladas movimentadas em 2023

A Portos do Paraná bateu um novo recorde de movimentação no ano de 2023, ultrapassando a marca de 65 milhões de toneladas. O anúncio do recorde...
fev 13 2024

Balança comercial tem superávit de US$ 6,527 bilhões em janeiro

Beneficiada pela queda nas importações de combustíveis, compostos químicos e pela safra recorde de soja e de café, a balança comercial – diferença...
fev 12 2024

Meganavio faz única escala no Porto de Paranaguá

O Porto de Paranaguá recebeu nesta quarta-feira (07) o meganavio MSC Elisa XIII, do armador Mediterranean Shipping Company (MSC) que fez uma escala...
fev 09 2024

Empresas apoiadas pela ApexBrasil exportaram US$ 140,7 bilhões em 2023

O ano de 2023 foi de recordes históricos para o comércio exterior brasileiro e para a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos...

Quem acredita na Marcon

Nossos Clientes