A  China vem conquistando a cada ano espaços que no passado recente eram ocupados pelo Brasil como maior parceiro comercial de diversos países latino-americanos e poderá, nos próximos anos, desbancar o Brasil como maior sócio da Argentina no comércio exterior, tanto nas exportações quanto nas importações. Entre outros países, a China já figura como maior parceiro comercial da Colômbia, México, Chile, Peru e Venezuela e avança célere para superar o Brasil nas trocas comerciais com a Argentina.

De janeiro a junho, as exportações chinesas para a Argentina totalizaram US$ 5,29 bilhões, apesar da queda de 30,4% comparativamente com o mesmo período de 2018, montante praticamente idêntico aos US$ 5,3 bilhões embarcados pelo Brasil nesse mesmo período para a Argentina,  seu terceiro maior parceiro comercial em  todo  o mundo.

Segundo Ângela Maria dos Santos, especialista em Comércio Exterior da Thomson Reuters, “a China há tempos busca cada vez mas se aproximar dos países da América do Sul e em especial dos países do Mercosul. E, aproveitando-se do atual momento vivido pela Argentina, vem estreitando suas relações com os portenhos”.

Na visão da analista, não é de se desconsiderar a possibilidade de a China vir a superar o Brasil como principal parceiro comercial da Argentina. Para ela, “se considerarmos as atuais circunstâncias, a hipótese de mudança de posicionamento entre o Brasil e a China como principal parceiro da Argentina não é para ser descartada. Pensando do ponto de vista do Mercosul, esse não seria o melhor panorama, pois poderia causar uma instabilidade no bloco, já que Brasil e Argentina são os principais membros do Mercosul”.

No primeiro semestre deste ano, as compras argentinas de produtos brasileiros recuaram 41,7% para US$ 5,3 bilhões, representando 21% das importações totais do país (contra 26% no mesmo período de 2018). E apesar de suas exportações para a Argentina terem caído 30,4%, no mesmo período, os chineses ficaram com uma fatia de  17,7% das importações argentinas e só 3,3 pontos percentuais os separam da liderança brasileira, contra 7,7 pontos percentuais registrados no primeiro semestre do ano passado.

A crescente perda de competitividade brasileira para a China em relação à Argentina já é uma realidade concreta no tocante a outros países latino-americanos. De acordo com dados de 2018 disponíveis no www.trademap.org , a China supera o Brasil com ampla margem nas trocas comerciais com países como o Chile, Peru e Venezuela. No caso desses três países, a China mais comprou do que vendeu para os chilenos, peruanos e venezuelanos:

China x Chile: US$ 15, bilhões (Exportações) x US$ 26,9 bilhões (Importações). Déficit de US$ 11 bilhões;

China x Peru: US$ 8,1 bilhões (Exportações) x US$ 15,2 bilhões (Importações). Déficit de US$ 7,1 bilhões;

China x Venezuela: US$ 1,1 bilhão (Exportações) x US$ 7,3 bilhões (Importações). Déficit de US$ 6,1 bilhões.

Em relação à Colômbia, México e Paraguai, a balança comercial é amplamente favorável aos chineses:

China x Colômbia: US$ 8,7 bilhões (Exportações) x US$ 5,9 bilhões (Importações). Superávit de US$ 2,8 bilhões;

China x México: US$  44,1 bilhões (Exportações) x US$ 14 bilhões (Importações). Superávit de US$ 30 bilhões;

China x Paraguai: US$ 1,67 bilhão (Exportações) x US$ 40 milhões (Importações). Superávit de US$ 1,63 bilhão.

Fonte: Comex do Brasil